Exame de sangue detecta Alzheimer antes dos sintomas e chega ao Brasil com processamento nacional

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PARANÁ — O DB Diagnósticos lançou o Memora, linha de exames que utiliza biomarcadores plasmáticos para identificar evidências biológicas do Alzheimer por meio de uma coleta de sangue — tecnologia que permite detectar a doença anos antes do aparecimento dos sintomas clínicos. Todo o processamento é realizado na unidade do laboratório em Sorocaba/SP, tornando a empresa pioneira na oferta de exames com biomarcadores plasmáticos processados integralmente no Brasil.

O Alzheimer é a principal causa de demência no mundo e responde por cerca de 70% dos casos, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS). No Brasil, aproximadamente 1,8 milhão de pessoas convivam com a doença, número que tende a crescer com o envelhecimento da população. Embora seja mais frequente após os 65 anos, cerca de 9% dos diagnósticos ocorrem de forma precoce, atingindo pessoas em idade produtiva.

Biomarcadores antecipam diagnóstico

A doença está associado ao acúmulo de proteínas, principalmente beta-amiloide e tau, que comprometem progressivamente o funcionamento dos neurônios. Essas alterações podem surgir muitos anos antes das primeiras dificuldades de memória, linguagem ou raciocínio.

Maria Gabriela de Lucca, médica patologista clínica do Grupo DB, explica que o Alzheimer possui uma fase biológica que antecede em muitos anos os sintomas clínicos. “Os biomarcadores permitem identificar essas alterações de forma mais objetiva, oferecendo ao médico informações importantes para complementar a investigação diagnóstica, sempre em conjunto com a avaliação clínica do paciente”, afirma.

A especialista ressalta que esquecer compromissos ou perder objetos ocasionalmente não significa, necessariamente, Alzheimer. O diagnóstico depende da análise do histórico do paciente, do exame clínico e, quando indicado, de exames complementares. “A utilização de biomarcadores representa um avanço porque fornece evidências biológicas da doença, contribuindo para uma investigação mais precisa e para decisões clínicas mais bem fundamentadas.”

Processamento nacional amplia acesso

O Memora busca substituir, em parte da investigação, métodos mais complexos e invasivos, como o PET cerebral e a análise do líquido cefalorraquidiano (LCR). Até então, esse tipo de exame dependia, com frequência, do envio de amostras para laboratórios no exterior.

Rodrigo Faitta Chitolina, supervisor de Produto do DB Diagnósticos, afirma que o lançamento traduz anos de evolução científica em uma ferramenta aplicável à rotina médica. “O Memora representa um novo momento na investigação do Alzheimer. Trabalhamos com biomarcadores plasmáticos validados cientificamente e kits diagnósticos registrados pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), oferecendo mais suporte ao diagnóstico precoce, à tomada de decisão médica e ao acompanhamento da evolução da doença. É uma tecnologia que amplia o acesso à informação diagnóstica sem abrir mão do rigor científico.”

Com a estrutura logística do grupo, amostras coletadas em qualquer região do país podem ser encaminhadas para análise em Sorocaba. Embora não substitua a avaliação médica nem estabeleça sozinho o diagnóstico da doença, o exame representa mais um recurso para apoiar a investigação clínica em um cenário de crescimento acelerado dos casos de Alzheimer no Brasil.

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