Homem é preso em Foz do Iguaçu em operação contra lavagem de R$ 100 milhões

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FOZ DO IGUAÇU/PR — Um homem foi preso nesta quarta-feira, 15 de julho de 2026, em Foz do Iguaçu/PR, durante a Operação Hawala. A ação investiga um esquema de lavagem de dinheiro ligado a facções criminosas e movimentou pelo menos R$ 100 milhões.

O homem foi localizado na casa do sogro, em um condomínio no bairro Três Fronteiras, e encaminhado para a Penitenciária Estadual de Foz do Iguaçu. A Polícia Civil do Rio de Janeiro (RJ) afirmou que as apurações identificaram uma possível conexão com um integrante de uma estrutura de financiamento da organização terrorista Al-Qaeda.

A Al-Qaeda é uma rede terrorista internacional, criada por Osama bin Laden no final dos anos 1980. A organização ficou conhecida pelos ataques de terça-feira, 11 de setembro de 2001, nas Torres Gêmeas de Nova York.

A operação foi deflagrada nesta quarta-feira, 15 de julho de 2026, pelo Ministério Público do Rio de Janeiro (MP-RJ) e pela Polícia Civil do RJ. O grupo é suspeito de movimentar pelo menos R$ 100 milhões em recursos ligados ao tráfico de drogas. No total, 10 pessoas foram presas no âmbito da operação, até a última atualização desta reportagem: Ali Alfakih, Barbara de Oliveira Rosa, Bárbara Luzia Souza de Carvalho, Kassem Zayoun, Lucas Gabriel Vidal, Reda Zayoun, Samuel Morais da Hora, Thierry Martins Lourenço Ribeiro, Yago Jorge de Souza Daniel e Yasser Zayoun. A identificação oficial do homem preso no Paraná não foi divulgada.

Segundo as investigações, o esquema prestava serviços ao Terceiro Comando Puro (TCP) e ocultava recursos ligados ao Comando Vermelho (CV) e ao Primeiro Comando da Capital (PCC).

Agentes da Delegacia de Defesa dos Serviços Delegados (DDSD), com apoio da Coordenadoria de Recursos Especiais (Core), e promotores do Grupo de Atuação Especializada de Combate ao Crime Organizado (Gaeco/MPRJ) cumpriram 37 mandados de busca e apreensão em endereços no Rio de Janeiro, em São Paulo e em Minas Gerais, além de Foz do Iguaçu.

A 3ª Vara Especializada em Organização Criminosa do Tribunal de Justiça do RJ também impôs medidas cautelares de bloqueio de ativos financeiros e indisponibilidade de bens e de participações societárias. O Gaeco denunciou 22 pessoas, e o juiz Alexandre Abrahão Dias Teixeira aceitou integralmente a denúncia, tornando todos réus.

Como foi a investigação

A investigação começou na Delegacia de Repressão aos Crimes contra a Propriedade Imaterial (DRCPIM), que descobriu uma “multimarcas” sediada no Complexo do São Carlos e vinculada à cúpula da facção Terceiro Comando Puro (TCP). Esta empresa vendia itens falsificados e recebia eletrônicos roubados.

A especializada rastreou os donos dessa firma e encontrou uma rede de dezenas de empresas de fachada distribuídas em diferentes estados e criadas para escoar o dinheiro do tráfico. O grupo também utilizava o “smurfing”, que são depósitos fracionados em espécie para burlar mecanismos de controle.

Durante as diligências, os agentes identificaram ainda um núcleo de empresários de origem libanesa, apontado como responsável por ampliar a circulação interestadual e internacional dos recursos ilícitos. Há também elementos que indicam atuação na tríplice fronteira entre Brasil, Paraguai e Argentina.

Suspeita de ligação com operador da Al-Qaeda

Os agentes identificaram uma relação comercial entre uma empresa vinculada aos investigados e um indivíduo sancionado pelo Office of Foreign Assets Control (órgão do Departamento do Tesouro dos Estados Unidos), responsável pela aplicação de punições econômicas.

“De acordo com as informações levantadas, esse indivíduo integra uma estrutura de financiamento da organização terrorista Al-Qaeda. Esse vínculo será aprofundado a partir da análise das provas apreendidas durante a operação”, declarou a Polícia Civil do Rio de Janeiro.

📸 Foto: Reprodução

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