MAFRA/SC — O motorista de caminhão Gabriel Allan Rodrigues, de 20 anos, viralizou nas redes sociais depois que um vídeo mostrou policiais militares abordando-o em Jaraguá do Sul, no Norte de Santa Catarina, e confundindo-o com uma criança devido à sua aparência jovem.
Natural de Mafra/SC, Gabriel trabalha como caminhoneiro há cerca de um mês em Jaraguá do Sul, onde sua mãe mora. Ele contou que a abordagem policial não foi a primeira situação inusitada que enfrentou por conta de sua fisionomia.
“Denúncia mesmo, essa foi a primeira vez que aconteceu comigo. Mas, como eu dirigia carro antes, já passei por isso várias vezes. As pessoas ficavam olhando, davam risada. As crianças, por exemplo, é a diversão delas. Elas ficam bem loucas quando eu passo de caminhão”, relatou.
Gabriel começou a trabalhar aos 18 anos, quando passou a morar sozinho. O primeiro emprego foi em um supermercado, mas logo conseguiu vaga em uma fábrica de carros. Quando a fábrica fechou as portas, ele se mudou para Jaraguá do Sul, onde sua mãe já morava, em busca de novas oportunidades.
Na nova cidade, Gabriel começou em uma transportadora como ajudante de carga e descarga. Após tirar a Carteira Nacional de Habilitação (CNH) na categoria C e ganhar experiência no setor, ele conquistou a vaga de motorista na empresa atual.
“Tô dirigindo esse caminhão faz no máximo um mês, acho que nem deu um mês ainda, então tô aprendendo a cada dia uma coisa nova. Pra mim tá sendo um sonho realizado. Dizem que quem trabalha com o que gosta não trabalha”, destacou.
A rotina exige flexibilidade de horários e depende da demanda. Gabriel faz coletas e entregas na região de Jaraguá do Sul, mas planeja fazer viagens mais longas no futuro. “Meu objetivo é poder viajar, tô correndo atrás disso, ganhando experiência dentro da cidade para mais para frente poder viajar com o caminhão”, afirmou.
O caminhoneiro também passa por situações inusitadas fora do trabalho. Ao tentar abrir uma conta bancária, o funcionário passou a falar com ele em tom afetuoso, acreditando que se tratava de uma criança desacompanhada.
“Fui tentar abrir uma conta e eles começaram a conversar comigo com uma voz muito mansa: ‘Você tá sozinho? Você precisa vir com teu pai ou com a tua mãe aqui no banco, não pode vir sozinho’”, contou.
Gabriel nunca procurou um médico para saber se tem alguma condição de saúde que justifique a aparência e a voz tão jovem.











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