DOIS VIZINHOS/PR — Pesquisa do Novo Arranjo de Pesquisa e Inovação Prosolo (NAPI Prosolo) revela que curvas de nível em lavouras de plantio direto na região Sudoeste do Paraná podem reduzir em 83% as perdas de solo e em 61% as perdas de água.
O estudo é resultado de uma união entre a Rede Paranaense de Agropesquisa e Formação Aplicada (Rede Agropesquisa) e o Programa Integrado de Conservação de Solo e Água do Paraná (Prosolo). O trabalho conta com apoio do Sistema FAEP (Federação da Agricultura do Estado do Paraná), da Fundação Araucária e da Secretaria de Ciência, Tecnologia e Ensino Superior (Seti).
Conforme o presidente do Sistema FAEP, Ágide Eduardo Meneguette, pesquisas de campo recebem total apoio da instituição, pois os resultados beneficiam diretamente o desenvolvimento do produtor e da agropecuária no Paraná. A coordenadora de Ciência e Academia da Fundação Araucária, Fátima Padoan, complementa que a parceria consolida uma rede de pesquisadores comprometida em gerar conhecimento com impacto real no campo e na vida dos produtores.
O trabalho realizado na Universidade Tecnológica Federal do Paraná, campus Dois Vizinhos (UTFPR-DV), foi coordenado pelo pesquisador André Pellegrini, com a colaboração da engenheira agrônoma Alinne Bisolo. Desde 2019, pesquisas semelhantes ocorrem em mais seis mesorregiões do Paraná, monitorando perdas de solo, água e nutrientes em lavouras sob plantio direto, com e sem terraços.
Na região Sudoeste, o monitoramento segue até 2029. O professor Pellegrini alerta que, neste ano, influenciadas pelo El Niño, as chuvas tendem a ser ainda mais intensas. Ele reforça que quem não se preparar terá grandes perdas de solo e nutrientes diante de eventos climáticos extremos.
Segundo o estudo, os terraços aumentam a umidade do solo e a produtividade das culturas durante períodos de estiagem. Eles também ajudam a evitar perdas em tempos de chuvas frequentes, pois reduzem a velocidade do escoamento. Pellegrini compara o terraço ao seguro do carro: “A gente não quer usar, mas, se precisar, está lá como apoio e garantia para que os prejuízos sejam menores”.
Desde 2019, o grupo de pesquisadores, que inclui professores da UTFPR, campus Francisco Beltrão, monitora megaparcelas em lavouras experimentais, totalizando 1,92 hectare, com e sem terraços. Uma bacia hidrográfica de 62 hectares, localizada na própria UTFPR em Dois Vizinhos, também é monitorada, com lavoura (47,3%) e pastagem (21,6%) como principais usos.
O projeto mantém o cultivo das lavouras como é feito na região Sudoeste: soja semeada na primeira quinzena de outubro e colhida em fevereiro; safrinha de feijão ou milho, com colheita no início de junho; e, como culturas de inverno, aveia-preta para cobertura ou trigo como cultivo comercial.
Nesses locais, foram analisados o volume de chuva, a vazão e as perdas de solo. Um dos dados destacados por Pellegrini é de outubro de 2023, quando a chuva de 302 milímetros em 25 horas, nos dias 28 e 29, foi o maior evento já registrado desde o início do projeto, consequência do fenômeno El Niño.
O pesquisador ressalta que os agricultores precisam fazer uma boa cobertura do solo e também terraços para minimizar os problemas de erosão, devido à previsão de um El Niño extremo que se aproximava naquela primavera. Além dos terraços, outra forma de proteger o solo é utilizando plantas de cobertura, como aveia, nabo e centeio, durante o inverno, para que o solo esteja mais preparado para o plantio da soja.
O Sistema FAEP oferece o curso “Manejo e Conservação do Solo – Prática de Campo”, que auxilia os produtores rurais na construção desse sistema de conservação.
📸 Foto: Divulgação










