O nível do rio é medido pelas réguas, mas como funciona a previsão do que vai acontecer nas próximas horas? Quem opera esse sistema? Onde a população pode consultar esses dados? E o que a Copel faz quando uma cheia está chegando?
Para responder essas e outras perguntas, conversamos com Mônica Irion, Gerente de Recursos Hídricos da Copel — concessionária responsável por usinas na bacia do Rio Iguaçu, incluindo a usina de Foz do Areia, logo abaixo de União da Vitória.
Mônica Irion: O Simepar nos fornece as previsões meteorológicas usando o modelo europeu, o ECMWF. A partir daí, a Copel usa um modelo hidrológico que transforma a chuva prevista em vazão — ou seja, quanto de água vai descer o rio nas próximas horas.
Em União da Vitória, a gente vai além: converte essa vazão em nível do rio previsto, e disponibiliza isso publicamente no site.
Mônica Irion: É um quadro com data e hora, leitura da régua em metros, nível da água, vazão em m³/s, e dois cenários: com chuva** e sem chuva.
Por exemplo, no dia 8 de junho de 2026 às 21h, a régua marcava 2,25 m com vazão de 325 m³/s. A previsão indicava queda gradual nos dias seguintes.
Mônica Irion: O sistema elétrico brasileiro é operado pelo Operador Nacional do Sistema (ONS). É ele quem determina quanto cada empreendimento vai gerar de energia. Toda a operação é fiscalizada pela Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL) e pela Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA), por conta do uso dos recursos hídricos.
Não é o empreendedor individualmente que decide como operar. Tudo passa pelo ONS.
Mônica Irion: São seis grandes usinas e uma pequena central hidrelétrica na calha principal do Rio Iguaçu. Das seis grandes, a Copel tem concessão de três: Foz do Areia (abaixo de União da Vitória), Segredo (logo abaixo de Foz do Areia) e Salto Caxias (região sudoeste).
Acima de União da Vitória, entre Porto Amazonas e a Lapa, existe uma pequena central que entrou em operação recentemente, mas ela não tem capacidade de influenciar o comportamento das vazões que chegam em União da Vitória.
Mônica Irion: A Copel tem uma rede automática de monitoramento desde 1997 — fomos uma das primeiras empresas do setor a instalar essa tecnologia. Sensores enviam dados de nível hora a hora para a Agência Nacional de Águas.
Além disso, um leiturista em União da Vitória vai até a régua periodicamente e faz a leitura manual. Essa leitura manual é a referência oficial. Ela é comparada com a telemetria automática e, se necessário, é feito um ajuste fino no equipamento.
A Copel já tem essa rede automática desde 1997 e acompanha a evolução dos tipos de sensores e equipamentos, sempre buscando melhoria em termos de precisão para o registro dos níveis.
Mônica Irion: Os dados estão disponíveis no site da Copel, na página de monitoramento. Lá é possível ver:
– Nível atual do rio
– Previsão hidrológica (com e sem chuva)
– Vazão em m³/s
E na plataforma da ANA (Agência Nacional de Águas) é possível obter a série histórica completa dos dados, já que a Copel tem obrigação legal de enviar os dados em tempo real para a agência. Na nossa página disponibilizamos uma janela menor; lá na ANA é possível obter a série completa dessas informações.
Mônica Irion: No normal, os modelos rodam três vezes ao dia. Durante eventos extremos, como a cheia de 2023, os modelos chegaram a rodar de duas em duas horas para dar a maior precisão possível.
Após cada grande evento, a equipe recalibra todo o modelo com base no que realmente aconteceu — revisando todos os parâmetros e refazendo as calibrações para que o modelo esteja mais preparado para os próximos eventos.
Mônica Irion: Quando ocorre uma cheia na bacia acima de Foz do Areia, a gente faz o rebaixamento dinâmico do reservatório. Conforme a chuva vai caindo, a gente consegue quantificar o volume que vai chegar ao reservatório mas que ainda está viajando no rio — e inicia o processo de reduzir o nível da água do reservatório.
Isso é feito de duas formas:
1. Aumentando a geração da usina, se o sistema interligado conseguir alocar essa geração
2. Abrindo gradualmente as comportas do vertedor
Essa abertura gradual acompanha a evolução do evento de cheia, porque a gente precisa observar as condições abaixo da barragem — não podemos provocar uma enchente artificial rio abaixo. O objetivo é absorver o volume dentro do reservatório sem impactar os níveis em União da Vitória.
Essa operação já está consolidada desde o final da década de 80 e é bastante transparente para a população.
Mônica Irion: As previsões e os dados de monitoramento são disponibilizados para a Defesa Civil estadual. A população pode se preparar para uma eventual necessidade de desocupação, sob orientação da Defesa Civil, com base nos planos de contingência dos municípios.
Além da previsão de vazão, a gente transforma essa previsão em nível da água previsto especificamente para União da Vitória. Essa informação é bastante importante para que, durante eventos críticos, a população já vá se preparando.
Mônica Irion: No site da Copel tem uma página de contato onde é possível enviar dúvidas. A equipe responde por e-mail. Muitas pessoas da região já nos procuram por esse canal.
Sabemos que às vezes a forma como colocamos a informação pode ser muito técnica e não haver um entendimento completo, então a gente sempre faz questão de traduzir para uma linguagem mais acessível à comunidade.
Mônica Irion: União da Vitória é a única estação onde a Copel faz a conversão da previsão de vazão em nível do rio previsto e divulga publicamente na página de monitoramento. É um diferencial importante porque a região está numa zona de transição entre o Sul e o Sudeste, com estações bem marcadas.
A Copel sempre primou pela transparência das suas operações. Disponibilizar essas informações de forma acessível beneficia a comunidade e as instituições públicas, principalmente durante eventos extremos.
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Serviço — Como acessar os dados
Passo a passo para acompanhar o monitoramento:
1. Acesse http://www.copel.com/monitoramento
2. No mapa, clique em “Bacia do Iguaçu”
3. Na lista de postos hidrométricos, clique em “União da Vitória”
Lá você encontra a previsão hidrológica, a leitura da régua em metros, nível da água, vazão em m³/s, e os dois cenários: com chuva e sem chuva.
Também é possível acompanhar a situação do reservatório da usina Foz do Areia, com dados atualizados de hora em hora como:
– Leitura da régua
– Nível da água
– Volume de água armazenado
– Vazão afluente (água chegando na represa)
– Vazão vertida (quando as comportas são abertas)
– E outros
ANA (série histórica completa): Na plataforma da Agência Nacional de Águas é possível acessar a série completa dos dados de monitoramento enviados pela Copel em tempo real.
Dúvidas: O site da Copel possui canal de contato para esclarecimentos direto com a equipe.
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Matéria baseada em entrevista com Mônica Irion — Gerente de Recursos Hídricos da Copel, ao Portal 1V.











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