No Dia da Educação, a história das escolas ajuda a contar a formação de Porto União e União da Vitória

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GÊMEAS DO IGUAÇU — Nesta terça-feira, 28 de abril de 2026, quando se marca o Dia da Educação, olhar para a trajetória das escolas de Porto União e União da Vitória é também revisitar a própria formação social, política e cultural das cidades gêmeas do Vale do Iguaçu. Mais do que prédios de ensino, essas instituições ajudaram a organizar a vida urbana, formar professores, integrar comunidades e consolidar identidades em uma região profundamente marcada pela fronteira e pela memória do Contestado.

Antes da separação definitiva entre os dois municípios, o território integrava uma mesma dinâmica urbana e regional. Depois da Guerra do Contestado e do Acordo de Limites de 1916, com a divisão formal entre Santa Catarina e Paraná, a escola passou a ocupar um papel estratégico: afirmar a presença do poder público, ampliar a alfabetização e estruturar um projeto de sociedade em um território que saía de um período de conflito e reorganização.

Naquele contexto, a educação ainda era bastante precária. O ensino se espalhava por escolas isoladas, muitas vezes em estruturas simples, com poucos recursos e forte dificuldade de acesso, principalmente no interior. A criação de grupos escolares, colégios confessionais e escolas de formação de professores representou, então, um salto importante para o desenvolvimento regional.

Em Porto União, uma das referências históricas desse processo é o Grupo Escolar Balduíno Cardoso, que nasceu ainda nos primeiros anos após a redefinição territorial e se consolidou como símbolo do ensino público catarinense. A instituição acompanhou a modernização do sistema escolar, viveu a transição das antigas escolas reunidas para o modelo de grupo escolar e se firmou como um dos marcos da educação local.

Em União da Vitória, a Escola Professor Serapião também se tornou peça central dessa construção. Além da relevância pedagógica, a instituição passou a ser reconhecida como patrimônio histórico, reforçando o elo entre educação, memória e identidade urbana. O colégio ajudou a formar gerações de estudantes e também se ligou à preparação de professores em um período decisivo para a expansão do ensino regional.

A formação docente, aliás, foi um dos pilares desse processo. Nas décadas de 1920 e 1930, escolas complementares e normais tiveram papel importante na preparação de professores que mais tarde atuariam em áreas urbanas e rurais da região. Em um tempo em que o magistério representava uma das principais possibilidades de ascensão social, sobretudo para mulheres, essas instituições ajudaram a moldar uma geração que levaria a alfabetização a diferentes comunidades do Vale do Iguaçu.

Ao lado da rede pública, o ensino confessional também teve força decisiva. Em Porto União, colégios como o Santos Anjos e o São José marcaram a história educacional pela tradição, disciplina e influência na formação intelectual de diferentes gerações. Essas escolas ultrapassaram o papel estritamente pedagógico e se tornaram referências sociais e culturais para famílias dos dois lados da fronteira.

Com o avanço da urbanização e o crescimento das cidades ao longo do século XX, a estrutura educacional se ampliou. Em União da Vitória, instituições como os colégios Túlio de França e José de Anchieta passaram a responder à demanda crescente pelo ensino secundário. Em Porto União, outras escolas estaduais reforçaram a rede pública e ampliaram o acesso à educação básica. Mais tarde, a expansão do ensino também dialogaria com novas pautas, como inclusão, tecnologia, formação integral e sustentabilidade.

A história da educação nas cidades gêmeas também carrega as marcas das enchentes do Rio Iguaçu, das mudanças urbanas e da própria transformação do perfil da população. Em diferentes momentos, as escolas serviram não apenas como espaços de aprendizagem, mas como pontos de apoio comunitário, convivência e resistência diante das crises.

Neste 28 de abril, o Dia da Educação convida a uma reflexão que vai além da sala de aula. Em Porto União e União da Vitória, falar de educação é falar de fronteira, reconstrução, memória, pertencimento e futuro. É reconhecer que a formação das cidades passou, e continua passando, pelos corredores das escolas, pelo trabalho de professores e pelo esforço diário de milhares de estudantes e famílias.

Mais do que lembrar uma data, a ocasião reforça o valor da educação como base de desenvolvimento humano, social e regional no Vale do Iguaçu.

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