Morre Arlete Caramês, referência na luta por crianças desaparecidas no Brasil

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Natural de Porto União, ex-vereadora transformou dor pessoal em mobilização nacional

Curitiba – A Câmara Municipal de Curitiba confirmou nesta terça-feira (24) a morte de Arlete Caramês, aos 82 anos. Natural de Porto União, ela construiu uma trajetória marcada pelo ativismo em defesa de crianças e adolescentes, tornando-se uma das principais referências nacionais na causa dos desaparecidos.

Arlete ingressou na vida pública após o desaparecimento do filho, Guilherme Caramês Tiburtius, em 1991, aos oito anos de idade. O caso ganhou repercussão nacional e nunca foi solucionado, motivando uma mobilização que mudaria sua vida e impactaria políticas públicas em todo o país.

Em 1992, ela fundou o Movimento Nacional da Criança Desaparecida do Paraná, iniciativa voltada à prevenção e à busca por crianças desaparecidas, que ganhou reconhecimento em todo o Brasil.

Na política, Arlete foi eleita vereadora de Curitiba em 2000, atuando na 13ª Legislatura, e posteriormente assumiu uma cadeira na Assembleia Legislativa do Paraná. Durante seu mandato, integrou comissões estratégicas e foi autora de leis importantes, como a criação da Semana de Prevenção Contra o Desaparecimento de Crianças e Adolescentes no calendário oficial do município.

Sua atuação também contribuiu diretamente para a criação do Serviço de Investigação de Crianças Desaparecidas (Sicride), estrutura pioneira no país dedicada exclusivamente a esse tipo de ocorrência.

Além disso, participou da articulação que resultou na Lei Federal nº 11.259/2005, que determina a busca imediata por crianças e adolescentes desaparecidos, fortalecendo a atuação das autoridades em todo o território nacional.

Arlete Caramês deixa um legado de luta, coragem e transformação social, sendo reconhecida por transformar uma dor pessoal em uma causa coletiva que salvou e impactou inúmeras vidas.

Informações sobre velório e sepultamento ainda não foram divulgadas.


🔎 Contexto

A trajetória de Arlete conecta diretamente o Vale do Iguaçu a uma pauta nacional de direitos humanos. Sua origem em Porto União reforça o papel da região na formação de lideranças com impacto além do território local.


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